Graccho Cardoso no Tempo de Pedras, Cimento, Tintas e prioridades invertidas

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    José Adeilson dos Santos

    Nas vistas de quem mora ou de quem passa pela cidade de Graccho Cardoso, o que logo chega aos olhos é a impressão de um lugar de ruas novas, praças novas, casas novas. No entanto, sendo o espaço de todo um tempo. Ou seja, o novo é o próprio velho! Apenas remodelado, com nova feição pelo banho de uma nova tinta, da opção de moda do atual gestor municipal. Que vem a ser, um combinado de amarelo com vermelho.

    Não por caso, ocorre assim! O intuito principal dessa administração é voltado para derrubar/levantar canteiros e praças; remover/repor paralelepípedos, postes e luminárias; repintar e/ou maquiar paredes dos prédios públicos.

    Esta tem sido a prioridade! Porque chama atenção!

    E como temos acompanhado, assim foi com determinadas ruas e praças reformadas ao “gosto” da administração e sem nenhuma consulta pública. Todas remodeladas! Por muita pedra, areia, cimento e tinta. E pouca vida, pouca natureza. Pouco verde de grama e de outras plantas. Uma cidade apenas colorida de amarelo e vermelho. E sem flores!

    E nesta contradição, algo curioso chama bastante atenção: a Praça da Matriz está há todo tempo da atual gestão, totalmente abandonada. Como entender?

    • Cabe-se questionar se isso foi proposital. Se foi de pura intenção da atual administração, relegar ao abandono a maioria das árvores históricas da praça, que sem podas e tratamentos adequados, várias morreram à míngua. E durante todo o período de quase dois mandatos (oito anos), não teve a capacidade de fazer um replantio, preencher os canteiros com grama, plantas e flores de jardim. Ao invés disto, o que optou foi deixar que os espaços centrais da praça se tornassem pontos de comércio, descaracterizando a sua paisagem natural.
    • Porque durante todos estes anos, não ouviu o clamor da população para que não deixasse a praça quase morrer e chegar ao estado de abandono no qual se encontra?
    • E porque consultar a população agora, somente em ano eleitoral? – E somente para, propriamente, a reforma deste principal espaço público do município, a Praça da Matriz?
    • Porque para outras obras (que mesmo sem prioridade de políticas públicas), nunca consultou o povo? – Será para valer mais a gana do gestor, pela publicidade e propaganda na internet? – Por isto o desejo agudo para assentar pedras, elevar colunas, construir qualquer tipo de abrigo. E ser importante, a festa de inauguração e a cobertura da mídia.

    Porque o sentido de obras públicas é a função social pelas quais são planejadas. Para atender ao povo, na essência da prestação de serviços essenciais. A exemplo, na área da saúde, construir Postos Médicos, mas com a garantia de atendimento mais efetivo por diversas especialidades; com oferta ampliada de exames clínicos-laboratoriais; com programas de fortalecimento à Atenção Básica à Saúde.

    Na área da educação, que antes das reformas das escolas; que haja plano de ação para elevar o nível de aprendizagem das crianças, a redução de evasão escolar e a valorização dos profissionais.

    Antes da construção de quadras esportivas; que se tivesse ao menos um plano político de incentivo e incremento para práticas sócio-culturais e de desporto, atendendo todo o conjunto da população do município. Que antes das licitações para obras; que houvesse elaboração de programas para geração de empregos e renda para a juventude. No mínimo, promovendo capacitação e formação técnica de jovens e adolescentes do município.

    Por isto, com e por um outro olhar, mais atento e apurado, a realidade da administração de Graccho Cardoso poderá ser melhor avistada. Muito além da maquiagem, das fachadas de cores vermelhas e amarelas.

    Na verdade, melhor será revelada: faltando políticas públicas, efetivas, de assistência à população.

    • Historiador, Administrador de Empresas e acadêmico do curso de Direito/Faculdade Pio Décimo

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